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Numa luva comum cada dedo fica fechado no seu próprio canal e perde calor por conta própria. Aqui os quatro dedos ficam juntos no mesmo compartimento, partilham o mesmo ar morno e aquecem-se uns aos outros, enquanto o polegar fica isolado. Menos superfície exposta, mais calor onde faz falta.
Nota-se sobretudo quando as mãos deixam de se mexer. À espera do autocarro, numa fila de rua, num passeio de fim de tarde com vento: é aí que a luva de dedos separados começa a falhar pelas pontas e esta não.
Em contrapartida, há que aceitar uma coisa: os gestos de precisão ficam desajeitados. Validar um título de transporte, desbloquear o telemóvel ou procurar as chaves no bolso obrigam a descalçar uma das luvas, e não há truque que evite isso.
A maior parte das compras falhadas repete sempre os mesmos três erros. Vale a pena conhecê-los antes de escolher o tamanho.
| Escolher justo | Uma luva apertada esmaga a mão e expulsa a camada de ar morno que isola. Deixe sempre uma folga confortável. |
|---|---|
| Ignorar o punho | É pelo pulso que entra quase todo o frio nos dias de vento. Punho curto para desaparecer debaixo da manga, punho alto para cobrir. |
| Comprar em cima da hora | Não lhe deixa tempo para experimentar o tamanho em casa, nem para trocar o par se a palma apertar. |
Há ainda quem procure um único par que sirva para tudo. Costuma ser mais prático ter dois: estas para o percurso longo ao ar livre, algo mais leve para o resto do dia.
A seleção é curta de propósito. O par disponível tem um motivo de tranças nas costas da mão, uma palma em efeito camurça, com melhor aderência, e um forro macio por dentro. O punho dobra-se para fora e fecha com um botão de madeira.
As tranças não são só decoração: os pontos cruzados formam um tecido mais encorpado, que retém mais ar do que a malha lisa, e é esse ar preso que garante o isolamento. A palma, pelo contrário, é lisa e revestida a efeito camurça, para que a mão não escorregue em guiadores, alças de saco ou corrimãos.
As cores mantêm-se discretas, do taupe ao camelo, com uma zona mais escura no pulso. Se já usa um gorro de malha para as manhãs frias, não vai ter de pensar duas vezes na combinação. Para a composição exata e o forro, consulte a ficha do produto.
Meça o contorno da palma à altura dos nós dos dedos, sem contar com o polegar, e compare esse valor com as indicações da ficha. É a medida que decide o tamanho, e é a única que vale a pena tirar com fita métrica.
O comprimento também conta. Se sobrar, fica uma câmara de ar frio para lá das pontas dos dedos; se faltar, os dedos encostam ao fundo e arrefecem mais depressa. Com o par calçado, abra os dedos: o forro deve tocar nas pontas sem as empurrar para trás.
Quanto ao punho, decida em função do casaco. Curto, se desaparecer debaixo da manga; mais alto, se preferir cobrir o pulso e cortar a corrente de ar.
A malha e a máquina de lavar raramente se dão bem. Lave à mão em água fria com um detergente para lã, sem esfregar e sem torcer. Retire o excesso de água entre duas toalhas e seque na horizontal, longe do aquecedor: pendurada, uma luva molhada estica e já não recupera a forma.
A palma em efeito camurça exige um tratamento separado: com o par completamente seco, levante o pelo com uma escova macia. Para o verão, guarde o par esticado num saco de tecido respirável, nunca num saco de plástico fechado, que retém a humidade.
Ao fim de alguns invernos aparecem borbotos nas zonas de atrito. Não é defeito do fio, é uso normal: saem com um pente próprio para malha ou com uma máquina de tirar borbotos, sempre no mesmo sentido e sem puxar o ponto.
São três respostas diferentes para o mesmo frio, e é normal ter duas delas na mesma gaveta. Em português os nomes trocam-se com facilidade, por isso vale a pena separá-los: a mitene é a que deixa as pontas dos dedos de fora, e não deve ser confundida com esta.
Se o que precisa é de liberdade nas pontas dos dedos, as nossas mitenes de malha para o inverno são a escolha sensata: aquecem a palma e deixam-lhe as pontas livres para o telemóvel, o bilhete ou a chávena.
E se procura proteção de manhã à noite sem abdicar do uso dos dedos, a secção principal de luvas de mulher reúne os modelos de dedos separados, dos mais finos aos bem forrados.
Uma última nota prática: compre antes de o frio chegar a sério, e não quando ele já está instalado. Em setembro ou outubro há tempo para escolher o tamanho sem pressa.