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O cobre puxa a turquesa para o azul, o ferro empurra-a para o verde. É por isso que duas contas tiradas do mesmo depósito podem parecer pedras diferentes, uma de azul limpo e outra já virada ao verde água. Numa pulseira de contas vês essa faixa toda de uma só vez, e essa irregularidade é o comportamento normal da pedra, não uma falha de fabrico.
Depois há o desenho. Muitas contas são atravessadas pela matriz, os veios escuros da rocha-mãe, umas vezes como uma rede fina, outras como manchas castanhas largas. Outras saem lisas. As contas com veio têm mais carácter e combinam com cabedal e linho; as lisas ficam mais arrumadas e passam melhor no escritório.
É aqui que nascem quase todos os equívocos. A turquesa em bruto é um fosfato hidratado de cobre e alumínio, mole e poroso, entre 5 e 6 na escala de Mohs. Risca-se com mais facilidade do que o quartzo e absorve tudo aquilo em que toca. Quase todos os tratamentos do mercado existem para compensar exatamente essas duas fragilidades.
A turquesa natural é apenas cortada e polida, por isso a cor e os veios mudam de conta para conta. A estabilizada é pedra verdadeira impregnada com resina: endurece, fixa o tom e aguenta muito melhor o uso diário, representando uma parte muito significativa do que se vende no mundo. A reconstituída parte de pó e fragmentos de turquesa verdadeira que se aglomeram e voltam a ser formados em contas, daí a cor tão uniforme e o veio mais gráfico. A howlite e a magnesite tingidas são outra coisa: minerais próprios pintados de azul, sem turquesa lá dentro.
Com a pulseira na mão consegues confirmar duas coisas. A pedra, seja qual for a qualidade, mantém-se fresca durante alguns segundos, enquanto uma conta de resina aquece quase de imediato. E se o veio continua de forma lógica de uma conta para a seguinte, estás a olhar para um material reformado tirado de um só bloco. Nenhuma destas observações substitui o que está escrito na ficha, mas ajudam a perceber o que levas no pulso.
O calibre altera o resultado mais do que se imagina. As contas de 6 mm ficam discretas e pedem companhia, funcionam bem sobrepostas a outras pulseiras finas. As de 8 mm são a medida do dia-a-dia: vêem-se sozinhas sem exagerar e passam do escritório para o fim de tarde sem mudar nada.
A partir dos 10 mm a pulseira torna-se a peça principal e pede uma manga limpa e um pulso livre. Num pulso fino, uma fila só segura melhor a proporção do que três apertadas umas contra as outras. Se gostas de sobrepor, a turquesa convive bem com as contas de ágata com faixas, que não lhe roubam o protagonismo.
Pedra porosa absorve o que lhe pões em cima, e a mudança segue num só sentido: quando o azul escorregou para o cinzento esverdeado, não volta atrás. O perfume, o creme e o cloro apagam a cor mais depressa do que qualquer outra coisa, por isso o hábito útil é pôr a pulseira em último lugar, depois de tudo o resto estar aplicado e absorvido.
| Tomar banho com a pulseira | Tirá-la antes do duche, da piscina e do mar. A água prolongada é o que mais desloca a cor. |
|---|---|
| Lavar as contas em água | Passar um pano macio e seco. Nada de enxaguar nem de máquina de ultrassons. |
| Guardar à janela | Arrumar ao abrigo da luz direta, que com o tempo torna o azul baço. |
| Puxar pelo fio para a enfiar | Abrir a mão e deixar a pulseira rolar. Puxar o elástico é o que acaba por a estragar. |
| Misturar tudo na caixa | Dar-lhe um compartimento próprio: com dureza 5 a 6, o quartzo e o aço riscam-na sem esforço. |
Os mesmos cuidados servem para as restantes pulseiras de pedra da secção, montadas da mesma maneira.
Mede a volta do pulso na zona mais larga com uma fita métrica ou uma tira de papel e acrescenta cerca de um centímetro. A pulseira deve rodar à vontade sem sair pela mão. As contas grandes reduzem o diâmetro interior, por isso um modelo de 10 mm precisa de um pouco mais de folga do que um de 8 mm na mesma medida de pulso.
Poucas pedras percorreram tanto caminho. Aparece nos espólios funerários do antigo Egipto, as oficinas persas fizeram dela o azul das cúpulas e das joias de corte, os ourives do sudoeste dos Estados Unidos engastam-na há gerações e encontra-se também nos malas tibetanos. O próprio nome conta a viagem: chegou à Europa pelas rotas comerciais turcas, e daí pedra turquesa.
Essa continuidade explica o lugar que ocupa na litoterapia de hoje, onde é associada à garganta e à palavra livre e usada como pedra dos viajantes. Entendida como símbolo e não como remédio, continua a ser uma prenda com sentido antes de uma mudança de casa ou de uma viagem longa.
A pedra sem tratamento pode desbotar, e muitas vezes desbota mesmo: a gordura da pele, os cosméticos e o sol vão puxando a cor para o verde. As contas estabilizadas e reconstituídas seguram melhor o tom, que é precisamente a razão de existirem.
A prata mantém a frieza da pedra e dá um resultado mais gráfico, que é a combinação clássica do sudoeste americano. Os tons dourados aquecem o azul e suavizam-no. Nenhuma opção é mais correta; depende do resto das joias que já usas.
Funciona muito bem para uma partida, uma mudança para outro país ou um novo emprego, graças à ligação com as viagens. Uma conta de 8 mm num azul esverdeado misto é a escolha mais segura quando não se conhece o gosto da pessoa ao pormenor.