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Furar as orelhas a uma bebé continua a ser um gesto habitual em Portugal, feito muitas vezes na ourivesaria do bairro nos primeiros meses de vida. A discussão mudou de eixo nos últimos anos: os pediatras portugueses raramente indicam uma idade exata e preferem falar de calendário vacinal, de autonomia da criança e de condições de higiene. Este guia reúne o que dizem os profissionais sobre a idade, os argumentos a favor e contra furar cedo, onde fazê-lo com segurança, que brincos escolher e como cuidar das primeiras semanas.
Para furar as orelhas não existe idade mínima definida por lei em Portugal, e a decisão pertence aos pais. A recomendação mais citada pelos profissionais portugueses liga a furação ao calendário vacinal: esperar pelo menos pelas primeiras vacinas, e há quem aconselhe aguardar até aos 18 meses, altura em que a criança completa o primeiro ciclo da vacina contra o tétano.
A referência clínica internacional aponta noutra direção, igualmente útil. A American Academy of Pediatrics recomenda adiar a furação até a criança ter maturidade para cuidar sozinha da zona furada, o que na prática acontece por volta dos seis ou sete anos. As duas leituras não se contradizem: uma protege da infeção precoce, a outra melhora os cuidados diários.
A favor de furar as orelhas cedo pesa a memória: uma bebé não guarda recordação do episódio, e o lóbulo cicatriza depressa nesta idade. Pesa também a tradição familiar, que em Portugal continua forte e não deve ser tratada como um capricho.
Contra pesam três factos práticos. A bebé leva as mãos às orelhas e dorme de lado, o que multiplica o contacto com o furo. Não consegue sinalizar dor nem comichão, pelo que uma reação ao níquel pode passar despercebida durante dias. E um brinco pequeno que se solte no berço é um corpo estranho. Os cuidados diários decidem a cicatrização muito mais do que a idade escolhida.
As três vias para furar as orelhas são comuns em Portugal e distinguem-se pelo método e pelo acompanhamento. A ourivesaria e a farmácia usam quase sempre sistemas de cartucho esterilizado de uso único e são o caminho mais rápido. Os estúdios de piercing trabalham com agulha oca e têm a formação técnica mais sólida, embora muitos recusem por princípio crianças muito pequenas. As clínicas acrescentam a vantagem de uma consulta de controlo.
Em qualquer dos casos verifique sempre os mesmos pontos: material esterilizado de uso único aberto à sua frente, luvas mudadas entre passos, instruções de cuidados por escrito e uma resposta clara sobre o metal dos primeiros brincos. A esterilidade pesa mais que o método, porque a higiene evita muito mais complicações do que a técnica escolhida.
Depois de furar as orelhas, o metal dos primeiros brincos determina a tolerância do lóbulo. A referência útil é a norma europeia EN 1811, que fixa o limite de libertação de níquel em objetos em contacto prolongado com a pele, e perguntar por essa conformidade vale muito mais do que a palavra hipoalergénico, que não tem definição regulamentar. O titânio de grau implante é a opção mais segura, com o aço cirúrgico bem documentado e o ouro de 18 quilates como alternativas.
A forma conta tanto como o metal: pequeno, plano, sem pedras salientes e com haste suficientemente longa para o ligeiro inchaço dos primeiros dias. Fechos planos não prendem no cabelo, o que elimina a causa mais frequente de brincos arrancados. Concluída a cicatrização, abre-se toda a variedade dos nossos modelos para orelhas furadas.
Depois de furar as orelhas, o lóbulo cicatriza em seis a oito semanas e os primeiros brincos ficam colocados durante todo esse período. Limpe duas vezes por dia com soro fisiológico estéril, seque com suavidade e não rode o brinco, porque rodá-lo reabre o canal que está a formar-se. Um líquido transparente que seca em crosta fina faz parte da cicatrização normal. Nunca rode o brinco, um conselho transmitido durante anos que na verdade reabre o canal em formação.
Evite piscinas e praia enquanto o furo não estiver curado, e prenda o cabelo comprido nos primeiros dias. Ao vestir e despir a criança, passe a roupa com cuidado junto às orelhas, que é o momento em que a maioria dos brincos é puxada.
Depois de furar as orelhas, três sinais distinguem uma infeção da cicatrização normal: dor que aumenta depois do terceiro dia em vez de diminuir, secreção amarelada ou esverdeada, e vermelhidão que se estende para lá do lóbulo. Febre associada exige observação no próprio dia.
Comichão persistente sem pus aponta antes para uma reação ao níquel e resolve-se mudando o metal. Os nossos guias explicam como limpar um piercing na orelha durante a cicatrização e como reagir a uma orelha inflamada. Quando a criança crescer e pedir um helix, o nosso guia dos tipos de piercing na orelha compara os tempos de cicatrização.
Nas primeiras semanas o sítio onde acabou de furar as orelhas pode fechar em poucas horas. Se o brinco cair, deve ser recolocado rapidamente, mas nunca à força: se não entrar sem resistência, o melhor é voltar a quem executou a furação em vez de insistir.
Antes de recolocar, lave bem as mãos e limpe o brinco com soro fisiológico estéril. Se o canal já fechou, não se volta a atravessar o mesmo ponto enquanto a zona não estiver completamente cicatrizada. Guarde alguns fechos suplementares em casa, porque as borboletas perdem-se com muito mais frequência do que os próprios brincos.
Não há idade mínima legal para furar as orelhas em Portugal e a decisão é dos pais. Os profissionais portugueses aconselham esperar pelo menos pelas primeiras vacinas, e alguns sugerem aguardar até aos 18 meses, quando termina o primeiro ciclo da vacina contra o tétano. A recomendação pediátrica internacional aponta para a idade em que a criança consegue cuidar sozinha do furo.
Sim, tratando-se de um menor os profissionais exigem o consentimento de quem exerce as responsabilidades parentais e a presença de um dos pais com documento de identificação. Sendo uma alteração permanente do corpo, é aconselhável que ambos os progenitores estejam de acordo antes da marcação.
Um lóbulo cicatriza em seis a oito semanas e os primeiros brincos devem manter-se colocados durante todo esse tempo. Retirá-los antes expõe ao fecho rápido do furo e a irritação na recolocação. A primeira troca deve ser feita de preferência por quem executou a furação.
Limpe com soro fisiológico duas vezes por dia, não retire o brinco e observe a evolução durante quarenta e oito horas. Consulte se a dor aumentar depois do terceiro dia, se surgir secreção amarelada ou esverdeada, se a vermelhidão alastrar ou se houver febre.
Mode Tendance, redação de joalharia e acessórios. Publicado a 21 de julho de 2026. Este artigo apresenta informação geral e não substitui o parecer de um profissional de saúde.
Fontes: calendário de vacinação contra o tétano com doses aos 2, 4, 6 e 18 meses; American Academy of Pediatrics, recomendação de adiar a furação até à autonomia da criança; norma europeia EN 1811 sobre libertação de níquel em objetos em contacto prolongado com a pele; Johns Hopkins Medicine sobre riscos da furação em bebés.