Em vez de uma luva grossa, duas camadas finas sobrepostas: por baixo uma luva fechada de cinco dedos em camurça sintética, por cima uma mitene de malha canelada no mesmo verde-oliva.
A mitene sobe pelo antebraço e tem uma abertura por onde passa o polegar; as pontas dos dedos ficam sempre de fora.
Uma luva espessa aquece, mas rouba o tacto e obriga a tirá-la a cada gesto. A solução aqui é outra: duas peças finas que se sobrepõem só onde é preciso, no dorso da mão e no punho. Quem preferir apenas a camada de malha encontra os modelos que dispensam a luva por baixo na secção vizinha.
Nenhuma das duas peças é volumosa por si só. É a sobreposição que cria o calor, e ela existe apenas na zona que está virada ao vento. A palma continua a ter uma única espessura de camurça, o que mantém a mão ágil ao agarrar.
A luva interior fecha os cinco dedos e sobe até ao pulso. A mitene exterior começa mais alto, no antebraço, e desce até parar na base dos dedos. Entre os dois limites fica a zona de dupla espessura; abaixo delas, só camurça.
Sem um corte no sítio certo, a camada de malha ficaria presa logo à primeira tentativa. É por isso que ela abre à altura do polegar, que sai por ali e mantém a sua bainha de camurça enquanto o resto da mão segue com duas espessuras.
Na ponta do indicador há um bordado pequeno, num verde mais claro do que a camurça. É o único enfeite do par e mantém-se no mesmo registo de verde, pelo que não interrompe o conjunto.
Se as luvas entram e saem do bolso dez vezes por dia, acabam por ficar no bolso. Este par foi pensado para o contrário: fica na mão de manhã à noite, porque as pontas dos dedos nunca chegam a ficar tapadas e não há nada a desapertar para usar as mãos.
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