O dourado desta armação não tem uma espessura só. Percorrendo-a de dentro para fora encontram-se três peças bem diferentes: uma lâmina achatada ao centro, um gancho grosso em cada canto e um fio dourado a seguir para trás.
A lente dispensa aro, é lapidada em faces e vai perdendo cor de cima para baixo. Nos remates finais, o metal cede lugar a duas peças escuras.
Repare no metal como quem segue um percurso, do centro da frente até à orelha, parando em cada mudança de peça. Não é a cor que muda pelo caminho, é a secção da peça. Cada uma tem a espessura que a sua função exige, e é por isso que o dourado se lê de três maneiras seguidas em vez de formar uma linha uniforme.
Numa armação fechada este percurso não se veria: o aro daria a tudo a mesma espessura aparente. Sem aro, cada peça mostra a espessura que tem, e a diferença entre elas fica evidente à primeira vista. O mesmo vale para o vidro: a fila de pequenos entalhes trabalhada no bordo alto só se percebe de perto, e não tem continuação na metade de baixo, onde o canto corre liso. Vale a pena comparar com as armações cujo metal mantém sempre a mesma secção.
Pega-se naturalmente pela parte mais grossa, e aqui essa parte fica junto à lente, não a meio da haste. O arame fino quase não se sente entre os dedos. Já a ponte não toca diretamente o rosto: descarrega o peso em duas pequenas peças transparentes. Esse mesmo tom volta a aparecer entre as miudezas douradas do catálogo de acessórios.
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